Posted by: hecorj | Quarta-feira, 7 Maio, 2008

Rotina

Hoje a tarde, enquanto eu trabalhava, um passarinho gordo, diferente das rolinhas costumeiras, pousou no alpendre da janela de meu banheiro. Olhou-me com certo olhar desconfiado - típico, imagino - e avoou-se para janela acima.

Depois vi penas caindo, canto alegre, e seu vôo em diante.

Posted by: dolpho_rj | Quarta-feira, 30 Abril, 2008

Entrevista

Foi semana passada, quando parti de casa, embecado devidamente qual ‘kibe enrolado em táfila’ (sei lá o que isso quer dizer) para a IBM. Sim. Na hora certa, calhou deu ser chamado para lá.

Claro… hora certa e o famoso conhecido! Não foi um QI - quem indica - posto que assim já estaria automaticamente empregado, mas antes foi um QTI - quem tenta indicar.

E lá estava eu, de frente ao sujeito, terno preto apertando-lhe o corpo, dando-me a impressão de que ele estava com certa falta de ar. Talvez isso o ajudasse a falar inglês. Vá eu saber. Sei que comigo isso não funcionaria.

Ele começou a entrevista com o típico ‘good almeronbothj’ ou algo assim. E aí, no que fui responder… olhei pra ele e cuspi sangue na mesa!

É QUE FIQUEI PUTO! VIVA A CULTURA NACIONAL! INGLÊS É O CACETE!

Não, mentira! Meu ciso, naquela hora nada propícia, resolveu simplesmente dar ‘oi’ ao mundo. E veio rasgando a pele, a gengiva mesmo.

Posted by: dolpho_rj | Domingo, 13 Abril, 2008

Pensamentos

“Hoje de manhã, antes da Prima, no céu ainda nebuloso, três monoplanos antiquados sobrevoaram o mosteiro fazendo muito ruído, seguia-os uma grande garça.” - Thomas Merton, Reflexões de um Espectador Culpado

Posted by: dolpho_rj | Sábado, 29 Março, 2008

Tá maneiro

Então tá. Véspera de domingo, noite. Um céu que não se decide se choveia, se chateia. Aquele sol-que-sai-num-sai. Cai logo água! Mas não fica só na ameaça e intimidação.

Estou com fome. Necessidade básica de 99% da humanidade (nunca se sabe, há doido pra tudo ;-D).  Olho pra minha namorada e vejo um ‘frango’ - embora, pra não perder a piada, eu a compare mais a um galetinho. Sim. Ganhei um tapa por isso. Mas saí rindo.

Com fome, parece, tudo fica mais humoristicamente-negro.  Piadas, só as dolorosas; ações, as minimas. Não quero gastar o pouco de energia que me resta com bobagens.

Posted by: dolpho_rj | Sexta-Feira, 28 Março, 2008

High Flight

Oh! I have slipped the surly bonds of Earth
And danced the skies on laughter-silvered wings;
Sunward I’ve climbed, and joined the tumbling mirth
Of sun-split clouds, — and done a hundred things
You have not dreamed of — wheeled and soared and swung
High in the sunlit silence. Hov’ring there,
I’ve chased the shouting wind along, and flung
My eager craft through footless halls of air. . . .

Up, up the long, delirious burning blue
I’ve topped the wind-swept heights with easy grace
Where never lark, or ever eagle flew —
And, while with silent, lifting mind I’ve trod
The high untrespassed sanctity of space,
Put out my hand, and touched the face of God.

— John Gillespie Magee, Jr

Posted by: dolpho_rj | Quinta-feira, 27 Março, 2008

Em branco

Peço desculpas, mas não sei o que escrever. Ando tão despreocupado que a cabeça vai longe enquanto desliza a paisagem ante à janela do ônibus que pego voltando pra casa. Ao menos há algo de interessante para ser visto. De metrô eu fico ainda mais introspecto, casualmente olhando uma ou outra pessoa que se ajunta à essa massa de transeuntes em constante trânsito.

Numa ocasião dessas, estava cansado e recostado no canto do último vagão, não querendo que ninguém ao meu redor existisse, quando, certamente, algum diabrete mais filho da mãe escutou meus pensamentos e, pra dar aquela gastada, fez com que pelas portas que já se fechavam me dando aquele gostinho de ‘consegui! ninguém sentará ao meu lado’, passasse mãe e filha cheio de sacos de compras.

E me perguntei quem era a mãe e quem era a filha. As duas gritavam, davam-se esporro mutuamente. E tudo por quê? Pelo simples fato de uma calça jeans ter servido tanto em uma quanto em outra! Deus do céu… juro a vocês que pensei na hora: que gente pequena, insignificante. Mas rapidamente me corrigi e concluí: não… há algo além, estou me precipitando.

Como o barulho não cessava nem com o Multidecuplexicador & Disruptor Neuroático da Realidade (mp3 player), desisti, respirei fundo, tirei os fones do ouvido e fiquei olhando firmemente para fora, vendo os túneis e luzes que ‘colorem’ o passeio subterrâneo.

E elas lá gritando… sei que até pelo pente estavam brigando. Até que a mãe deu o argumento final: você veio daqui e tá chegando agora, tá tou aqui há mais tempo e sei como tudo funciona.

Para a filha responder-lhe: por isso mesmo… você é mais VELHA, mais FEIA e mais CHATA, ninguém vai te querer assim.

Houve um silêncio chato, daqueles onde o ofendido entorta a cara como se na presença de algo nojento e viscoso, até a réplica seguinte, disparada à queima-roupa mesmo:

- Eu comi teu namorado

Na mesmíssima hora me levantei e fui pra porta. Queria ter a força do Hulk! Eu a abriria na marra, pararia o metrô e com um pulo, rasgaria minha saída dali! Chega!

Tem horas em que não vale a pena mesmo pedir por tranquilidade.

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